A Fada

Etérea, ela desliza em seu lençol astral
Vestida por um aglomerado de cor
Tão ela, tão preenchida por seu temor
Camuflado pelo semblante angelical

Expira, a fragrância que as flores olentes
Atadas ao seu suntuoso manto
Singelas, talvez por arte ou por encanto
Exalam à pele alva contentes

Divina, cerra os olhos como num sinal
De que em meio ao seu doce sabor
Se dos orbes aos lábios eu for
Sorverei o seu sumo lacrimal

Serena, cada cacho perfeito e definido
Causa-me inveja por tão inocentes
Percorrerem o tenro corpo lascivo.

Beatriz Zanon Amaral

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Quando eu…

Quando eu me pegar encarando o  longínquo firmamento,
Quando nas noites frias estiver caminhando a esmo pela praia,
Quando meus pés gentilmente tocam a fina camada de folhas secas no solo,
Quando a brisa de março traz o perfume das flores do campo,
Quando o gotejar da chuva se torna a música vespertina,
Nestes momentos eu estarei preenchendo este alentado coração com as lembranças das coisas que são tão belas e encantadoras quanto um sorriso seu.

Beatriz Zanon Amaral

❁ Valeriana ❁

❀A minha musa veio até mim no meu momento de maior desespero.
Tão branca, serena, formosa, me envolveu num reconfortante abraço.
E inebriado e entorpecido eu adormeci em seus braços por noites e noites.
E quando o dia amanhecia, minha preciosa protetora já havia me deixado. E era então que um novo ciclo de tormento começava. ✾
Novos dias cinzas e quase infinitos e o sufoco e a angústia…
A melancolia sendo a única coisa tomando conta de cada segundo que passava. ✾
Até que a noite enfim caísse, com estrelas peroladas que eu já não apreciava.
Mas ao menos naquele momento eu podia sorrir, pois a minha musa estaria novamente comigo. ❀

  • Beatriz Zanon Amaral